A Verdadeira Religião

“Qualquer homem inteligente – excetuando os que são cegos voluntariamente – reconhece que todos os sistemas religiosos do mundo contém certas verdades que, intuitivamente, reconhecemos como tais; mas, como não pode haver mais do que uma verdade fundamental, todas essas religiões são ramas da mesma árvore, embora que as formas com as quais a verdade se manifesta, não se assemelhem.

A mais elevada verdade, em sua plenitude, não é conhecida pelo indivíduo na forma mortal. Aqueles que chegaram a um estado perfeitamente consciente da verdade absoluta, não necessitam forma que a contenha; pertencem a uma classe sem forma; não poderiam estar em unidade com o princípio universal se estivessem ligados pelas cadeias de uma personalidade; uma mente tão extensa que não possa ser contida pelo cárcere carnal, não necessita mais daquela prisão.

E daí, a impossibilidade de se querer descrever a outro o que é o conhecimento de si mesmo. Só o que possuímos em relação conosco, pode ter para nós uma existência verdadeira; o que não conhecemos não existe quanto ao que a nós se refere. Não se pode provar praticamente ao cego a existência da luz; do mesmo modo é impossível dar-se prova de conhecimentos transcendentes àqueles cuja capacidade não transponha a região dos fenômenos externos.

Não há nada mais elevado do que a verdade e, por isso mesmo, é que a sua aquisição é o mais elevado dos ideais humanos. O ideal mais elevado do Universo há de ser um ideal universal.

A constituição de todos os indivíduos formou-se segundo uma só Lei Universal e, portanto, o ideal mais puro ou elevado tem que ser o mesmo ideal para todos e ao alcance de todos. E, ao adquiri-lo, todos os indivíduos formarão uma só família ou unidade espiritual. Enquanto o homem não reconhecer o ideal mais elevado do Universo, para ele o seu ideal – seja qual for – será o superior. Porém, o fato de existir tal ideal em sua mente, não implica que não existe um outro mais elevado. E a prova é que, na maioria dos casos, todos se cansam daquele ideal que chamavam de “superior”.

Há de haver um estado de perfeição que esteja ao alcance de todos e além do qual ninguém poderá adiantar, enquanto a totalidade do mundo não o tiver alcançado. Todos os indivíduos têm o mesmo direito de alcançar o mais elevado; porém, nem todos possuem o mesmo poder desenvolvido: uns podem alcançá-lo com maior rapidez, outros podem retardar no caminho e acontece, também que a maioria cai e tem que recomeçar a subir a escada evolutiva. Outro não é o significado da “parábola do bom semeador”, atribuída a Jesus.

A Humanidade, embora que imperfeitamente desenvolvida, reconhece intuitivamente o que é verdadeiro, nessa ânsia incontida de evoluir cada vez mais.

O cientista que raciocina segundo o plano das percepções dos sentidos, é o que está mais afastado do reconhecimento da verdade, porque toma as ilusões, produzidas pelos sentidos, como realidades e repele as revelações de sua própria intuição. O filósofo incapaz de ver a verdade, procura adquiri-la por meio de sua inteligência e pode aproximar-se da mesma até certo ponto; porém aquele em quem a verdade adquiriu a condição consciente reconhece a verdade por percepção direta, por isso mesmo, a ela está unido e não pode enganar-se.

Essa condição é incompreensível para a maioria dos indivíduos –  tanto para os cientistas e filósofos, como para os ignorantes. E, no entanto, existiram e existem homens que alcançaram aquele estado. São os verdadeiros Teósofos, porquanto nem todos que se dizem teósofos o são, como tão pouco os que se dizem Cristãos são um Cristo. O verdadeiro Teósofo e o verdadeiro Cristão e até mesmo Budista ou Mahatma, são um só, porque são formas humanas em que a Alma Espiritual Universal chegou a ser consciente.”

(Henrique José de Souza – O Luzeiro, 1953, pg. 146/147) – www.semeandoconhecimento.com.br

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