GUIA DE LEITURA TEOSÓFICA

Abaixo transcrevo artigo que saiu na revista Dharana da S.T.B.(Sociedade Teosófica Brasileira, atualmente chamada de Sociedade Brasileira de Eubiose) que serve de excelente referência para aqueles que desejam iniciar seus estudos:

Um dos mais sérios problemas para a cultura, em todos os tempos, foi a organização de um grupo de livros que, seriada e progressivamente, conduzisse o discípulo à consecução dos conhecimentos imprescindíveis à sabedoria. Os mestres chineses, hindus, egípcios, gregos, todos os criadores e mantenedores de civilizações cuidaram de sistematizar os conhecimentos da Ciência Sagrada ou Doutrina Arcaica em suas seções perfeitamente distintas, embora enlaçadas pelo véu sutil e pelo vínculo oculto da “maya budista”: a exotérica e a esotérica.

A iniciação exotérica, que deu origem à ciência fragmentária e inconsequente de nossa civilização mecânica, produziu e produz de comum resultados infelizmente algo contrários ao pensamento inicial dos Mestres. Todavia, o crítico da História conclui, necessariamente, que sem a iniciação exotérica a sabedoria popular, que o folclorista estuda sem poder unificar as características dos povos antigos e modernos, seria balda da significação que abundantemente apresenta. A exotérica é destinada à quantidade (os chamados), ao passo que a exotérica o é à qualidade (os escolhidos).

Como centro iniciático, a S. T. B. também trabalha em duas seções: a exotérica, compreendida nas aulas das ramas Mória, Kut-Humi e Serapis, nas conferências públicas, nos múltiplos estudos publicados neste seu órgão oficial e em diversos dos principais jornais brasileiros; e a esotérica, nas aulas ministradas a um grupo seleto de membros e em vários estudos estampados nas condições apontadas acima.

Isso não obstante há, tanto no nosso trabalho exotérico como esotérico, fases em que a evolução propiciada pela solução de problemas teosóficos capitais e ocultos, gera a necessidade de enriquecer, de certo modo, o campo exotérico mercê dos avanços realizados no esotérico. O estudo das matérias do nosso programa filosófico e a aglutinação dos atos de todos nós robustece o corpo doutrinário da S. T. B., confirma-lhe a importância que desde o ano de 1924 adquiriu na cultura brasileira e esplende nestas páginas.

A consciência dos valores que possuímos jamais nos levaria a dizer em alto e bom som o que somos e o que realizamos se porventura a tanto não nos obrigassem o dever e a alegria de espalhar entre nossos patrícios e os estrangeiros que, itinerante do isíaco caminho, nesta terra prodigiosa argamassam seus destinos ao da nacionalidade, as luminosas soluções de problemas insolucionados pelo pauperismo doutrinário e instrumental da ciência oficial. Sempre que imprimimos nossas idéias, sempre que revelamos trabalhos nossos através de tipografia, acautelamos nossa satisfação numa assaz fundamentada modéstia, no propósito de não distrair a atenção do leitor dos pontos fundamentais, esses mesmos pontos que imperativamente determinam em nós o cumprimento de um excelso dever de fraternidade filosófica, humana e social. Damos tudo que temos com entusiasmo na esperança de ver o gesto avisado que sabe receber; apenas assumimos, voluntariamente, como reservistas de um glorioso exército espiritual, o papel de depositários da Ciência Sagrada, esse tesouro inalienável que a juvenil imprevidência dos homens desleixa, esquece e deturpa, buscando-o, sofregamente, só quando as aflições cármicas os atormentam de perto.

Evidenciou-se-nos a necessidade de oferecermos aos nossos leitores o presente Guia de Leitura Teosófica. Queiram atentar em que a ordem estabelecida deve ser escrupulosamente seguida, pois há nela uma sequência lógica regida por um critério de alta iniciação litero-teosófica.

Abrigamos a esperança de que este guia produzirá excelentes resultados, e não duvidamos de que amanhã algum intemerato estudioso do esoterismo queira possuir elementos mais substanciais que os achados nos livros do presente roteiro intelectual e espiritualista. Nesse caso, só terá o trabalho de nos visitar, se habita nesta capital, ou nos escrever, se reside em algum Estado.

DHÂRANÂ responderá a qualquer carta que lhe seja dirigida, pois um dos fins principais de lançarmos a revista ao público, numa tiragem de 1.000 exemplares, é precisamente despertar e incrementar no povo brasileiro o interesse e o gosto pelos estudos esotéricos.

Eis o guia:

Novelas, contos, viagens e estudos biográficos:

Zanoni – Bulwer Lytton.

Nos Templos do Himalaia; O Santuário; O Mago Baltazar – Van der Naillen.

Os Grandes Iniciados – Ed. Schuré.

A Vida do Buda – F. Harnold.

Dans le Thibet (Dans la Tartarie, Dans la Chine) – Pe. Huc.

Bêtes, Hommes et Dieux – Ferdinand Ossendowski.

A l’Ombre des Monasteres thibetains – Marquês de Riviere.

(Esta obra, assim como a de Ossendowski, possui diversas ligações com a missão da S. T. B. São obras para se ler nas entrelinhas, ou seja, descobrindo através da “letra que mata” o “espírito vivificador”. Ambos os autores citados deram desempenho a missões muito especiais no mundo).

Místicos e Magos do Tibete – Alexandra David-Neel. Obra na qual se inspirou Mario Roso de Luna para escrever:

O Tibet e a Teosofia, de parceria com H. J. S., que a traduziu e completou, escrevendo inteiramente seus últimos 30 capítulos, de acordo com a vontade daquele eminente polígrafo espanhol, um dos membros da S. T. B.

Por Grutas y Selvas del Indostan – Helena Petrovna Blavatsky (Comentários de M. Roso de Luna).

El segredo de los Lagos de Somiedo; De Gentes del Otro Mundo; De Sevilla al Yucatán; El Libro que Mata a la Muerte o el Libro de los Jinas – M. Roso de Luna.

Para conhecimento das potentes individualidades de M. Roso de Luna e H. P. Blavatsky, leia-se:

El Mago de Logrosán e Helena Petrovna Blavatsky o una Martir del Siglo XIX.

Livros didáticos:

A Chave a Teosofia – H. P. B.

Karma e Reencarnação; Plano Astral e Devakan. Sabedoria Antiga – A. Besant.

(Tornam-se muito recomendáveis essas obras de A. Besant, por terem sido extraídas da monumental Doutrina Secreta e Ísis sem Véu de H. P. B.).

Magia Branca e Negra – Franz Hartmann.

La Esfinge; Simbologia Arcaica; El Simbolismo de las Religiones del Mundo. – M. Roso de Luna.

Ísis sem Véu – H. P. B.; – portentosa obra de crítica litero-científico-filosófica, que só por si bastava para imortalizar o nome da sua principesca e incompreendida autora.

No prefácio a augusta iniciada assim apresenta o livro: “A presente obra é o fruto de íntimas relações com os Adeptos orientais e do estudo da sua ciência. Dedicamo-la a todos os que estão prontos a aceitar a verdade, onde quer que se encontrem, e estejam dispostos a defende-la, sem temor, desafiando, se necessário, as preocupações do vulgo. Seu objeto é ajudar o estudante a descobrir o fundo oculto que jaz nos antigos sistemas filosóficos”.

A Doutrina Secreta – Obra fundamental da mesma autora; “a futura Bíblia da humanidade”, na frase feliz do filósofo patrício Dr. A. Marquez.

A Doutrina Secreta – diz Roso de Luna – estava destinada a ser, na sua origem, uma versão ampliada e correta de Ísis sem Véu, porém, como sucede sempre com a obra do gênio, a idéia rompeu aqui, como na obra musical do colosso de Bonn, os moldes da forma, desbordando-os e exigindo um plano de ação completamente novo”.

A verdadeira compreensão dos altos ensinamentos encerrados nas páginas dessa obra ciclópica, torna-se impossível para o leitor se este não possuir um Mestre capaz de comentar a D. S. através dos seus mil e um véus – sua complexidade metafísica e conturbadora erudição. A S. T. B. não apenas conhece em seus últimos pormenores todo o fundo oculto da D. S. senão que veio completar, de acordo com o ciclo para o qual trabalha, os ensinamentos entesourados naquela formidável obra.

O Verdadeiro Caminho da Iniciação – H. J. S. – O agudo momento de decadência cíclica que atravessamos determinou a elaboração deste livro eminentemente iniciático, e especialmente indicado para as duas primeiras séries da S. T. B. e para o mundo profano. Virá a lume dentro em breve, sob os auspícios desta instituição.

Para os místicos:

Luz no Caminho e Idílio do Loto Branco, de Mabel Collins.

A Voz do Silêncio, de H. P. B.

O Bhagavad-Gita, a tão conhecida e rara pérola da alta literatura ário-hindu.

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